Tag Archives: Reflexões

37 semanas.

5 nov

Filha,

Hoje nós completamos 37 semanas juntinhas, coladinhas, em um mesmo corpo. Impossível não pensar em todas essas semanas e em quanta felicidade você já me proporcionou. Antes de ser concebida, você já era muito esperada e muito amada, mas essas 37 semanas me fizeram perceber o quão forte é esse sentimento, essa ligação entre nós.

Está chegando a hora de sair, de conhecer o mundo, de sentir novos cheiros, novas sensações, novos sabores. Não será fácil, eu sei. Mas eu prometo estar ao seu lado o tempo todo, a cada movimento, a cada etapa. Até agora, você foi muito legal com a mamãe. Você virou, encaixou cedinho, cresceu bonitinho, mexeu todos os dias e deixou a mamãe bem tranquila. Agora, é a minha vez de retribuir tudo isso.

Filha, venha quando quiser. Venha quando estiver pronta, quando for melhor pra você. Essa decisão é sua, esse momento é seu. Venha em paz. A mamãe está ansiosa sim, mas não ligue para isso. Com o tempo você vai perceber que eu sou ansiosa sempre. Então, sinta-se a vontade! Aproveite o quanto tempo quiser aqui dentro, e vá se preparando, tranquilamente, para o seu momento, para conhecer o mundo.

*Post originalmente escrito em 01/10/2012, quando completamos 37 semanas. Achei que tinha publicado, mas ficou em Rascunhos.

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Maternidade ativa e os desestimulantes.

23 maio

Antes mesmo de começar a escrever esse post, quero pedir desculpas caso tenha interpretado o termo “maternidade ativa” de forma diferente da qual ele é, em geral, utilizado. É um termo que está na moda, leio sobre isso em vários grupos no facebook, blogs e sites, apesar de nunca ter me aprofundado no próprio termo, interpretei da forma que colocarei agora para vocês:

Maternidade ativa para mim é buscar informação, interpretá-la e adapta-la. É não desperdiçar nenhuma opinião, mas ter a sua própria. É ouvir aquilo que o médico, o vizinho, a sua mãe, o site da internet, um blog legal, um estudo bacana, um psicólogo, um nutricionista tem a dizer, filtrar oque é útil e adaptável a sua vida e tirar a sua conclusão. É fazer uma opção baseado em informações concretas, e não apenas em “achismos” ou “minha mãe fez assim e eu sobrevivi”. E pra optar, é preciso buscar (e num mundo tão cheio de informações, esse não será um problema).

Esse tema merecia uma análise mais profunda, mas ficarei com uma superficial mesmo: Qual será a graça que as pessoas vêem em te desestimular? Cada opção que eu faço que fuja do padrão, aparece um batalhão de gente pra ser contra. E tem a máxima também: “É, você leu isso, mas você vai ver: quando nascer, nada disso vai dar certo e você terá que se render!” Vejam bem, eu tenho certeza que terei muitas surpresas e terei que adaptar muitos pensamentos e idéias que tenho hoje, mas parece que as pessoas querem simplesmente invalidar as minhas escolhas. Para exemplificar o que eu quero dizer, dois exemplos práticos:

  • Eu optei pelo PARTO NATURAL. Ainda estou atrás de médicos, convênio e outros detalhes para que essa opção se torne realidade, mas a princípio, será um parto natural hospitalar. Quero um parto sem anestesia ou intervenções desnecessárias. Resposta imediata do ser com quem eu converso sobre o assunto: “É, mas na hora da dor, você vai ver!” 
  • Eu optei por usar FRALDAS DE PANO MODERNAS. As fraldas de pano são práticas, reutilizáveis, econômicas e ecológicas. Podem ser lavadas na máquina e duram praticamente a vida toda do bebê (caso você opte pelas tamanho único). Resposta: “Ah, você acha que vai aguentar lavar fralda todo dia?” ou “Ai, que nojo, mas a máquina vai ficar suja!” ou “Ah, mas vaza na roupa!”

Acontece que as pessoas que me dizem isso não sabem oque é uma episiotomia, nunca leram relatos de parto de mães que tiveram parto natural, nunca fizeram um parto sem anestesia, nunca nem viram foto das fraldas de pano, nunca conversaram com mães que usam fraldas de pano modernas. E aí eu fico pensando: De onde vem isso? Qual a graça que as pessoas vêem em ser contra as suas ideias sem ao menos saber quais são elas? Oque leva as pessoas a serem tão preconceituosas? Qual a dificuldade em dizer: “Nossa, que interessante! Espero que você consiga!”? Eu simplesmente não entendo. 

PS: Se você é uma dessas pessoas que fez um desses comentários, não fique triste. Não é nada pessoal. Saiba: você não foi o único. No geral, as pessoas que me disseram isso são pessoas próximas e queridas e as respostas delas não mudaram em nada o meu sentimento. Então fique tranquilo. 

O abraço e o sonho.

20 abr

Não sei se sou uma pessoa muito carente, ou se isso é normal, mas sempre que estou caminhando sozinha, sinto vontade de dar as mãos pra alguém. Quando estou sozinha, em casa, sinto vontade de um abraço. Assim, do nada, sem motivos. Em dias felizes, em dias tristes, é randômico. É só vontade de um carinho mesmo.

Agora, grávida e enfim, vivendo a minha gravidez, sem maiores preocupações, essa sensação mudou um pouco. Estou caminhando quando de repente, sinto um abraço. Um abraço que vem de dentro, coisa mais gostosa do mundo. Sabe aquela sensação maravilhosa de quando uma criança vem correndo e te dá um abraço sem você pedir? Então, é essa! Depois fico um tempo meio boba, e esqueço aquilo que estava fazendo (faz parte!).

Outra coisa deliciosa tem sido os sonhos. Não é a primeira vez que sonho com o meu bebê, sendo amamentado. No primeiro sonho, lembro de estar amamentando em casa, e o sonho se baseou nisso: amamentar. Essa noite, sonhei com a chegada do bebê. Não sonhei com o parto, me lembro de entrar no quarto e meu bebê estar no colo de uma tia minha. Peguei meu bebê no colo, e amamentei-o. Uma delícia de sensação. Pra completar a beleza desse sonho, uma prima minha apareceu grávida para me visitar e conhecer o bebê. Sonho melhor, impossível.

Se não fosse a minha vontade extrema de ter o meu bebê em meus braços, pediria pra ficar assim a vida inteira. É uma felicidade, um sentimento tão simples…não tem nem como explicar.

A famosa semana 12.

10 abr

O USG de hoje foi uma delícia. Começamos impressionados com o tamanho do bebê, 6,6cm. Sei que parece pouco, mas a gente acostuma a ficar decifrando aquela sementinha e a cada USG, ele está com o dobro do tamanho. Nesse, estava tudo bem visível e o bebê não parava de se mexer, uma delicinha! Coraçãozinho batendo normal, fluxo sanguíneo normal, medida da nuca normal (ela pega síndrome de Down e outras anomalias), tudo normal. Vimos tudo: Narizinho, queixo, dedinhos dos pés e das mãos, bracinhos, pernas, bumbum (magrelo), barriguinha. Vimos até a coluna vertebral (impressionante). Depois ele deu o palpite do sexo, que eu ainda não vou divulgar. Segundo ele, são 70% de chance, e eu achei melhor esperar o próximo USG, que será dia 21 para confirmar e aí sim, contar pras pessoas. 

Quanto ao descolamento, não tem mais. Nadica de nada. Sensação de alívio muito forte, e de que eu, de certa forma, fui ativa nesse momento. Acredito que a postura da minha médica e o meu repouso foram fundamentais para que esse descolamento sumisse, deixando aqui dentro apenas um bebê muito lindo, e muito amor. Agora é correr atrás das coisas da faculdade, buscar resolver os problemas de ordem prática que surgiram durante esse período de repouso e o mais importante: Curtir a minha gravidez!

 

Depois de passar por um aborto espontâneo, e de esperar 1 ano até engravidar, a gente sente uma impotência muito grande. Essa sensação de não podermos controlar nem quando virão os nossos filhos é muito estranha. Ao mesmo tempo, aprendi muito durante esse período. Me interessei mais e mais pela maternidade, pesquisei, conversei. Aí você chega naquela máxima de que até 12 semanas, todo cuidado é pouco e que, quando completas, é sinal de que o bebê “vingou”. Ontem eu completei 12 semanas, com muito orgulho e esperança. Hoje, ao fazer os exames, pude respirar fundo e pensar: “Meu bebê vingou.” E isso, essa frase estranha, com essa palavra que eu nem acho a mais bonita ou adequada (“vingou”), é a frase mais gostosa de se pensar no mundo. Bom, pelo menos no meu mundo.

E é nessa semana também que passam os enjôos. E realmente, eles estão bem melhores. Ainda com um pouco de falta de apetite pra ser sincera, e o estômago sempre incomodando um pouco, mas tudo bem. Acredito que assim que eu entrar em um ritmo normal, essa coisa toda do apetite melhora! Oremos.

E apesar de tudo, do nó na garganta, do medo, do repouso, dos enjôos, das minhas chatices… essas foram, sem dúvida, as melhores 12 semanas da minha vida!

Boa semana pra vocês!

Um ano

18 jan

Esse mês eu completo um ano tentando engravidar.

Esse mês meu filho/a completaria um ano de idade, caso tivesse nascido.

 

A parte boa de estar tentando engravidar a mais de um ano é que agora os médicos começarão a pedir todos os exames, e veremos se tem algo errado, ou se é apenas a natureza adiando os nossos sonhos. (Eu digo oS médicoS, porque não tenho médico nenhum. Explico: A minha ginecologista/obstetra resolveu parar com a obstetrícia, e desde então eu pulo de GO em GO para achar alguma que me agrade. Ontem, marquei quatro (sim, 4) consultas com médicos diferentes. Espero que eu goste de algum deles.) Acho bom fazer logo todos os exames, pra tirar essa ansiedade logo de uma vez. Se tiver algo errado, providências serão tomadas. Se não tiver, será uma ótima notícia.

Sobre a segunda parte, eu não quero pensar, pra ser sincera. Não tem parte boa, não tem lado bom. E eu não gosto de falar do lado ruim. Pelo menos, não hoje.

Onde nasce o amor?

24 nov

A resposta pode parecer óbvia: no coração!

Mas será mesmo que o amor nasce no coração? Não acredito. Eu acho que ele fica guardado lá dentro, mas ele nasce em outros lugares.

Ele nasce nos olhares, no toque, nos cheiros, nas palavras, nas músicas, na arte, nas pequenas coisas, nas grandes coisas. Quem deixa o amor entrar no nosso coração são os olhos, a boca, os ouvidos, o nariz e a pele. Depois ele se instala ali, no nosso coração e lá permanece. O amor cresce pelos mesmos mecanismos que nasce, ele se desenvolve, ganha forças.

Mas e o amor de mãe? Nasce da onde? Da onde ele vem, se antes de tocar, ver, cheirar os nossos filhos, nós já os amamos? Do útero? Mas e as mães adotivas? E aquelas que nem grávidas estão, e mesmo assim, já amam os filhos? Essas são perguntas que eu não sei responder. A única resposta que eu teria, é que ele vem “daqui”, “de dentro”.

Eu sou mãe. E antes que me perguntem: Não, não tenho filhos. Me vejo como mãe desde os 15 anos de idade. Eu já sonhava com meus filhos, com a maternidade e sempre foi claro pra mim, que essa seria a realização pessoal mais importante da minha vida. Há aproximadamente 18 meses, eu engravidei. Foi um tanto quanto inesperado, mas a notícia foi recebida com muita felicidade. Por mim, pelo meu marido, família e amigos. Infelizmente, com 2 meses de gestação, eu perdi o bebê. Em outros posts, posso comentar tudo que aconteceu e as minhas opiniões e frustrações sobre o assunto, mas o importante a ser dito nesse momento é que ali, nasceu uma mãe. E essa mãe não morreu, não foi embora. Ela continua viva e conversando comigo diariamente. Passado o susto, curados os traumas, resolvemos, eu e meu marido, engravidar novamente. “Vai ser rápido” – pensamos – “Em, no máximo, três meses, terá um bebê se desenvolvendo no meu ventre”. Acontece que não foi. Digo, não está sendo. Estou tentando engravidar à 9 meses e acabo de entrar no meu 10° ciclo de tentativas. É frustrante, mas também muito empolgante. Gosto de pensar que ele virá quando tiver que vir, mas me assusta um pouco a falta de controle. Como lidar com esses sentimentos? Como encontrar forças para mais um ciclo de tentativas? Como deixar a ansiedade de lado, e viver de forma leve durante esse período? Cada um tem uma resposta diferente. Eu prefiro não dar nenhuma resposta – eu não sei.

Eu só sei que a maternidade está em mim, só sei que sou mãe. E é isso que me dá forças. Acredito que todo esse processo pelo qual estou passando, faz parte de uma maternidade bem vivida. Bem ao estilo de “Deus dá o frio, conforme o cobertor”, eu acredito que podemos tirar proveito de tudo que passamos, e é assim que eu resolvi encarar essa fase.