Arquivo | novembro, 2011

Aborto espontâneo

29 nov

Eu já sofri um aborto espontâneo.

Acho que essa frase é a melhor colocação possível para qualquer mulher que passou por isso. “Sofri”.

Eu e meu marido planejamos engravidar desde quando namorávamos. O meu marido já é pai, tem uma filha de 5 anos de um casamento anterior, mas desde sempre expressa a vontade de ter outro filho. A vontade e o medo, pois eu imagino o quanto é doloroso passar por uma separação, ainda mais quando se tem filhos. Eu quero ser mãe desde sempre. Casamos em meio a uma correria danada, sem tempo nem dinheiro para realizar esse sonho. Eis que a situação melhorou, o relógio biológico apitou (isso mesmo, apitou aos 20 anos de idade) e a vontade veio com toda a força. Nos planejamos. Fui à Ginecologista, tomei as vacinas necessárias, fiz todos os exames… Esse processo de vacinação já toma uns 3 meses, aproximadamente. Eu precisei fazer uma cauterização de colo de útero, e como o pós-procedimento é ficar um mês sem sexo, achamos uma boa oportunidade para parar de tomar anticoncepcional. Planejamos usar camisinha por mais 4 meses, enquanto tomava o ácido fólico e depois começar a tentar efetivamente. Eis que, 3 dias antes da cauterização, a camisinha foi “esquecida”. Fiz a cauterização e continuei na vida normal. Até que um dia, eu percebo que a minha fome era algo impressionante… Resolvo fazer as contas, mas não me lembro da data da última menstruação. Isso foi no final de semana. Por sorte, na quinta-feira, eu tinha uma consulta no endocrinologista (estava fazendo o meu check-up pré-gestação) e aproveitei para pedir um exame B-HCG, e já fiz no mesmo dia. No dia seguinte, de manhã, entro na internet e vejo o meu exame: Positivo!

Um pouco antes da hora planejada, eu estava sem convênio. Mas a felicidade tomou conta. Fui comprar uma roupinha de bebê, como forma de contar ao meu marido a novidade. Ele ficou super emocionado, e também preocupado. Um parto particular custa em torno de R$ 10.000,00… dinheiro que, digamos, não estava disponível. Foi uma preocupação e tanto… começamos a correr atrás de maneiras de driblar a falta de convênio, ou oque faríamos para juntar esse dinheiro. A preocupação tomou conta, mas estavamos curtindo muito a gravidez… muito felizes! Conseguimos finalmente resolver o problema do convênio. Ufa! Agora poderíamos curtir a gravidez tranquilamente. Todos os familiares foram informados e ficaram muito felizes com a notícia, uma delícia.

Eis que, eu começo a sentir uma cólica. Mas, “Dr. Google” me disse que não era nada demais, que poderia ficar tranquila. Dois dias depois, desce um pouco de sangue e “Dr. Google” mais uma vez me diz que “um pouco” de sangue é comum nessa fase. Até que eu começo a menstruar. Dessa vez, “Dr. Google” não tinha explicações e fomos correndo pro hospital. Estava com 8 semanas de gestação… Fomos fazer o USG, mas não ouvimos o coração. Dava para ver o saco aminiótico, mas nenhum feto ou embrião. Ainda havia esperança, pouca. Repouso total. Depois de dois dias menstruando, e sentindo cólicas, fui à consulta na Ginecologista. É, realmente, era um aborto. Diagnóstico: Gestação Anembrionada. Basicamente, houve a fecundação, mas por algum motivo, o embrião não foi pra frente, não se desenvolveu.

Eu tenho a sorte de ser uma pessoa super bem resolvida, e sempre procurar o “lado bom” nas coisas. “Ah, pelo menos nunca houve um embrião, né? Não foi a morte de um filho, foi praticamente uma ilusão”. E aí é a hora de dar a notícia a um ou dois familiares e esperar que a notícia se espalhe, sem que você tenha que contá-la pra mais ninguém. E a hora também de perceber que você, além de tudo, está passando por uma “situação-tabu”. Ninguém fala com você sobre isso… e eu entendo! Na realidade, ninguém sabe oque falar. E eu, particularmente, acho melhor que não falem nada mesmo. Um abraço vale mais.

Eu passei os primeiros dias mal, e pra ajudar, era semana de provas na faculdade. Nem sei como passei aquele semestre sem DPs, pois eu não abri um caderno que fosse para estudar. Depois, superei. Superamos. Por vezes a dor voltava, mas ia embora de novo. Tinhamos claro que dali a pouco, estaríamos lá, “grávidos” de novo. Acho que se eu soubesse que demoraria um ano e meio (ou mais) para eu engravidar novamente, teria sofrido bem mais.

Ficamos um tempo só usando camisinha, mas sem tentar. Eu acho que, quando a gente passa por uma situação dessas, tem que deixar as coisas acalmarem e ficarem bem resolvidas na cabeça e no coração. Do contrário, a angústia é muito maior.

Esse assunto, agora, é praticamente superado aqui em casa. Exceto quando vejo vídeos, leio textos e coisas relacionadas a aborto. Aí volta tudo. Mas oque mais me marcou em toda essa experiência é o fato de que, “uma vez mãe, sempre mãe.” E não adianta, eu sou mãe. A partir do momento que eu engravidei, eu me tornei mãe, e não é um aborto que vai tirar a maternidade de mim. Por vezes, seria melhor que ela fosse embora junto, mas ela ficou por aqui. Então, que fique!

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Meta da semana: Ácido Fólico e Hidratante

27 nov

Bom, a primeira meta que eu escolhi seguir, foi a mais simples. E por isso, na realidade, são duas. Começar a tomar meu ácido fólico rigorosamente e a passar bons hidratantes diariamente após o banho. Coisas que eu fiz nos dois primeiros meses de tentativa… e só! Eu poderia escolher algumas metas mais complicadas, como iniciar uma atividade física, largar os refrigerantes, diminuir as bebidas alcoolicas, mas vou deixar essa para as próximas semanas. Primeiro porque estou em época de provas finais e sem tempo para nada disso e segundo pq o ácido fólico é uma meta simples, porém não menos importante que todas as outras.

Quanto ao ácido fólico, deixarei uma garrafinha de água e os comprimidos ao lado do meu celular, pra quando ele despertar, eu tomar o remédio antes mesmo de me levantar.

Quanto aos hidratantes, vou comprar um novo, pois os meus bons acabaram e só tenho alguns que não gosto muito do cheiro.

Na próxima meta da semana, conto como está indo essa, e se estou conseguindo mantê-la. Imagino que sim! :)

Onde nasce o amor?

24 nov

A resposta pode parecer óbvia: no coração!

Mas será mesmo que o amor nasce no coração? Não acredito. Eu acho que ele fica guardado lá dentro, mas ele nasce em outros lugares.

Ele nasce nos olhares, no toque, nos cheiros, nas palavras, nas músicas, na arte, nas pequenas coisas, nas grandes coisas. Quem deixa o amor entrar no nosso coração são os olhos, a boca, os ouvidos, o nariz e a pele. Depois ele se instala ali, no nosso coração e lá permanece. O amor cresce pelos mesmos mecanismos que nasce, ele se desenvolve, ganha forças.

Mas e o amor de mãe? Nasce da onde? Da onde ele vem, se antes de tocar, ver, cheirar os nossos filhos, nós já os amamos? Do útero? Mas e as mães adotivas? E aquelas que nem grávidas estão, e mesmo assim, já amam os filhos? Essas são perguntas que eu não sei responder. A única resposta que eu teria, é que ele vem “daqui”, “de dentro”.

Eu sou mãe. E antes que me perguntem: Não, não tenho filhos. Me vejo como mãe desde os 15 anos de idade. Eu já sonhava com meus filhos, com a maternidade e sempre foi claro pra mim, que essa seria a realização pessoal mais importante da minha vida. Há aproximadamente 18 meses, eu engravidei. Foi um tanto quanto inesperado, mas a notícia foi recebida com muita felicidade. Por mim, pelo meu marido, família e amigos. Infelizmente, com 2 meses de gestação, eu perdi o bebê. Em outros posts, posso comentar tudo que aconteceu e as minhas opiniões e frustrações sobre o assunto, mas o importante a ser dito nesse momento é que ali, nasceu uma mãe. E essa mãe não morreu, não foi embora. Ela continua viva e conversando comigo diariamente. Passado o susto, curados os traumas, resolvemos, eu e meu marido, engravidar novamente. “Vai ser rápido” – pensamos – “Em, no máximo, três meses, terá um bebê se desenvolvendo no meu ventre”. Acontece que não foi. Digo, não está sendo. Estou tentando engravidar à 9 meses e acabo de entrar no meu 10° ciclo de tentativas. É frustrante, mas também muito empolgante. Gosto de pensar que ele virá quando tiver que vir, mas me assusta um pouco a falta de controle. Como lidar com esses sentimentos? Como encontrar forças para mais um ciclo de tentativas? Como deixar a ansiedade de lado, e viver de forma leve durante esse período? Cada um tem uma resposta diferente. Eu prefiro não dar nenhuma resposta – eu não sei.

Eu só sei que a maternidade está em mim, só sei que sou mãe. E é isso que me dá forças. Acredito que todo esse processo pelo qual estou passando, faz parte de uma maternidade bem vivida. Bem ao estilo de “Deus dá o frio, conforme o cobertor”, eu acredito que podemos tirar proveito de tudo que passamos, e é assim que eu resolvi encarar essa fase.